Endometriose deve ser considerada doença incapacitante pelo INSS

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Atualizado: Fevereiro 12, 2018

A possibilidade foi discutida como Ideia Legislativa e recebeu, até o início de fevereiro, 22.667 apoios da população

 

A intensidade dos sintomas da endometriose varia entre as pacientes. Mas existem grupos para os quais as dores, que vão de cólica menstrual intensa a dor pélvica crônica, são geralmente incapacitantes. Para elas, está em discussão no Senado Federal a possibilidade de a doença ser reconhecida pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). Assim, no caso de uma mulher cuja endometriose traga sintomas incapacitantes, ela poderá ter o direito ao afastamento da vida produtiva sem maiores prejuízos.

A possibilidade foi discutida como Ideia Legislativa e recebeu, até o início de fevereiro, 22.667 apoios da população. A partir do apoio número 20.000, a ideia passa a ser uma sugestão legislativa, e será encaminhada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado. Lá, serão debatidas e convertidas em Projetos de Lei ou Propostas de Emenda à Constituição. Quem desejar pode acompanhar a discussão pelo site do Senado.

Além disso, uma vez em tratamento, boa parte das mulheres tende a ter um bom controle clínico da doença, segundo William Kondo, médico ginecologista e cirurgião geral do hospital VITA Batel e do Centro Médico Hospitalar Sugisawa. “Para uma parcela, a doença pode, sim, afetar muito, mas o tratamento normalmente promove um restabelecimento satisfatório dessa qualidade de vida”, reforça o especialista. Dos tratamentos, o uso de medicamentos, com ou sem a necessidade de cirurgia, são os mais comuns.

“O princípio mais importante do tratamento cirúrgico é que a doença deve ser removida o mais completamente possível, o que muitas vezes necessita de procedimentos mais extensos, principalmente nas endometrioses profundas com acometimento do trato intestinal e urinário”, diz Kondo.

Sete anos de endometriose

Por achar que as dores são comuns e fazem parte do processo, muitas mulheres com endometriose chegam aos consultórios com a doença em fase avançada e, geralmente, com os sintomas mais severos – embora não seja sempre o caso.

“Nos exames, às vezes vemos uma endometriose profunda, mas que a mulher não tem muitos sintomas. E o contrário também acontece. Uma endometriose mais leve, com desconforto muito grande para a paciente”, explica Rosa Filho.

Sete anos é o tempo que geralmente leva para a mulher receber o diagnóstico da endometriose, desde o início dos sintomas, por achar que as dores menstruais são normais.

Doença comum

Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva têm endometriose, mas nem todas têm a manifestação da doença. Trata-se de uma doença comum, porém subdiagnosticada e o diagnóstico é feito, principalmente, a partir da história clínica da paciente.

endometriose é uma doença ginecológica que surge quando há presença do tecido semelhante ao endométrio em órgãos fora do útero, segundo informações da Sociedade Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. O endométrio é a camada de tecido que recobre, internamente, a cavidade do útero. A menstruação é o próprio endométrio descamado ao fim do ciclo menstrual.

Dos sintomas mais comuns da doença, estão a cólica menstrual, dor profunda na vagina ou na pelve durante relação sexual, dor pélvica contínua não relacionada a menstruação, diarreia no período menstrual ou obstipação intestinal, dor para evacuar, sangramento nas fezes, dor para urinar, sangramento na urina e infertilidade. No caso desses sinais, procure um especialista, pois podem indicar outras doenças ginecológicas.

“Se há cólicas com piora ao longo do tempo, dor durante a relação sexual e infertilidade, a suspeita recai sobre a endometriose”, diz Rodrigo da Rosa Filho, médico ginecologista e obstetra.

FONTE: VIVER BEM / GAZETA DO POVO

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