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ARTIGO: Um momento inesquecível ou Um sonho de Liberdade por Walter Waltenberg

E os partidos políticos, nas maiores democracias do mundo, são o instrumento necessário e suficiente para garantir o desejo mais intenso, depois do anseio pela vida…

Aguardei por 35 anos pelo momento de participação política mais intensa do que simplesmente votar. Poucos têm ideia do que é, para um estudioso do direito constitucional, observar à distância, ou do outro lado do balcão, os movimentos internos de um partido político.

Aposentado da magistratura, livre dos impedimentos de exercer atividade partidária acertadamente impostos, me filiei ao MDB de Porto Velho. Afinal, durante os mais de 20 anos lecionando na graduação, me entristecia ver a participação política efetiva quase nenhuma dos milhares de alunos que passaram nas minhas salas.

A participação política é uma conquista recente, notadamente no Brasil, uma vez que as primeiras constituições impunham seríssimas barreiras à participação popular. Essa participação irrestrita, quase absoluta, desde a adolescência até os últimos dias decorre de muito suor, de muitas lágrimas, e nunca deixei de me perguntar por que a imensa maioria das pessoas nunca se interessou por um partido político. Afinal, é ali que se consolidam as candidaturas. Por que eu devo votar simplesmente naqueles candidatos que os partidos políticos oferecem, se eu tenho o poder constitucionalmente assegurado de participar da escolha do candidato a ser apresentado pelo partido?

Hoje, não há nada mais intelectualmente desafiador do que observar os pré-candidatos, seus motivos, suas personalidades. Entrar em contato com seus perfis psicológicos, ideológicos e, principalmente, os objetivos que pretendem alcançar. Os objetivos primários e secundários, os objetivos próximos e os remotos, os planos muitas vezes traçados para os próximos 10 anos.

Você acha que alguém está preocupado com 2022? Tudo isso já está acertado há tempos, e quem pensa em 2026 está muito atrasado.

Você é sempre levado a acreditar que o objetivo de todo partido político é vencer as eleições. Mas, muitas vezes, é preciso perder para vencer. Existem mais pedras no tabuleiro político do que num complexo tabuleiro de xadrez.

Não menos interessante é observar os dirigentes do partido. Alguns merecem absoluta confiança. Contudo, cada frase é um enigma a decifrar. Não, não é um ponto final, mais um talvez que pode se transformar num sim logo adiante. Sim pode ser transformado em não tão peremptório como se fosse gritado. A leitura do discurso político acaba se tornando o maior desafio. Tudo isso sem descuidar de que a liderança pode ser exercida de forma tão discreta que você quase desconsidera uma possibilidade real no líder.

Finalmente, a inteligência política dos integrantes do diretório. Observar seus interesses pessoais, sua disposição em atuar em prol dos objetivos estatutários do partido, seu poder de convencimento, sua liderança lateral, resultaria certamente numa importantíssima dissertação de mestrado.

Se você ainda não tem um partido para chamar de seu, procure ler os estatutos, identifique as filosofias e objetivos, analise os aspectos políticos de comportamento e filie-se. Não se preocupe muito com as pessoas que estão por perto. Pessoas passam mas, diz a história, os ideais de liberdade não morrem. E os partidos políticos, nas maiores democracias do mundo, são o instrumento necessário e suficiente para garantir o desejo mais intenso, depois do anseio pela vida. Mais que um desejo, um sonho de Liberdade.


*Walter Waltenberg Silva Junior é professor, político e empreendedor em Porto Velho. Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia.

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