Pobreza brasileira só não aumentou na Região Norte – Por Silvio Persivo

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Atualizado: dezembro 5, 2018

Se o poeta diz assim deve ser. “Escrever é como estar morto e voltar ao campo de batalha onde o seu próprio cadáver jaz” (José Ángel Valente).

A FALÁCIA DA INFORMALIDADE

A grande imprensa tem ressaltado que a economia informal aumentou pelo 4º ano consecutivo no Brasil, segundo o Índice de Economia Subterrânea (IES), do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e do Ibre/FGV. É verdade, pois, no período de 12 meses encerrado em julho, a economia subterrânea movimentou R$ 1,173 trilhão, o equivalente a 16,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. No ano passado, o percentual ficou em 16,8%. É uma movimentação gigantesca que chega a ser superior ao PIB de países como a Irlanda e bem próxima ao Produto Interno Bruto da África do Sul e de Israel. O que não se fala é que isto é decorrência de dois grandes males do país: a burocracia e os impostos elevados, que empurram os empreendedores para a informalidade. Também não se ressalta que, apesar de subir, o indicador da economia subterrânea, criado em 2003, hoje, é igual aos nível de 2011 e menor que os 17,6% de 2010, quando o Brasil cresceu no último ano de Lula, excepcionalmente, a 7%, o que desmoraliza a suposta correlação entre a crise e o aumento da informalidade. Os dados existentes, aliás, corroboram o oposto do que se afirma: quando a economia melhora a informalidade também tem aumentado. O que parece comprovar é que o Brasil não consegue criar condições para que a formalidade seja a norma de sua economia.

INSEGURANÇA JURÍDICA PREOCUPA POLO INDUSTRIAL DE MANAUS

A redução da alíquota de 20% para 4% do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do polo de concentrados parece estar trazendo reflexos negativos ao setor. Uma das razões é a suspeita de que a assinatura do decreto tenha motivado a empresa Pepsi-Cola a dispensar os funcionários e fechar a sua unidade em Manaus. notícia debatida em diversos meios, na segunda-feira. Para muitos analistas e empresários, a insegurança jurídica em relação ao decreto assinado pelo presidente Temer, é apontada como fator decisivo para a mudança das empresas do setor para outras cidades. Por exemplo, o presidente do CIN-AM (Centro de Negócios do Amazonas)

Marcelo Lima, afirmou que “Este decreto gerou uma insegurança grande, além de tirar a competitividade dos produtos concentrados isentos. É bem provável a desativação de outras fábricas”. Alertou ainda que, além das empresas multinacionais, é provável que as médias, com capital local, também sejam afetadas. “Depois que passou a valer este decreto, a situação do setor é insustentável, podendo afetar outros segmentos. Quem nos garante que esse tipo de decisão não se estenda para o polo de duas rodas? Ou para o setor relojoeiro?”, questionou Lima, declarando que a bancada política do Amazonas precisa ser mais agressiva e ter mais posicionamento junto ao governo federal na defesa dos incentivos. Apesar disto os indicadores do segmento de bebidas não alcoólicas do PIM (Polo Industrial de Manaus) mostram que o setor aumentou o seu faturamento nos oitos primeiros meses deste ano em R$ 60,36 bilhões, um crescimento de 17,81% em relação ao mesmo período de 2017, que registrou R$ 51,23 bilhões. O setor é composto por 23 empresas, que totalizaram só no ano de 2017, R$ 8,7 bilhões no faturamento derivados da produção e comercialização de concentrados, extratos, xaropes, aromas entres outros.

POBREZA BRASILEIRA SÓ NÃO AUMENTOU NO NORTE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base na Síntese dos Indicadores Sociais 2018, divulgando que o número de pessoas na faixa de extrema pobreza no Brasil aumentou de 6,6% da população em 2016 para 7,4% em 2017, ao passar de 13,5 milhões para 15,2 milhões. De acordo com definição do Banco Mundial, são pessoas com renda inferior a US$ 1,90 por dia ou R$ 140,00 por mês. Segundo o IBGE, o crescimento do percentual nesta faixa subiu em todo o país e nas suas regiões, com exceção da Região Norte onde ficou estável.

NOVOS DIRIGENTES DA COFECON

O Conselho Federal de Economia-COFECON divulgando que os conselheiros federais Wellington Leonardo da Silva e Antonio Corrêa de Lacerda, foram eleitos, respectivamente, Presidente e Vice-Presidente da entidade, com mandato para o exercício de 2019.

PARA OS BRASILEIROS, O FUTURO A DEUS PERTENCE

Um estudo do birô de crédito SPC Brasil revela um dado surpreendente: ao contrário do que se pensava a maioria dos brasileiros não irão gastar o 13º 

pagando suas dívidas. Efetivamente, 27% pretendem usar o recurso extra para economizar ou investir. Já 23% para fazer compras de Natal, enquanto apenas 17% pretendem pagar as dívidas atrasadas. O comportamento é contrário à opinião dos especialistas econômicos que recomendam usar o 13º salário para diminuir o endividamento, ou seja, o correto é sempre priorizar o pagamento de dívidas, buscar equilibrar o orçamento, se possível começar a poupar e, se sobrar dinheiro, consumir. Porém, parece que as dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos não preocupam tanto os brasileiros. Apesar do que, segundo a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil, em outubro, havia 62,9 milhões de inadimplentes no país. O valor médio da soma de todas as pendências é de R$ 2.615,98, mas, cerca de 14% não sabem quanto devem. Isto indica que, para os brasileiros, a prioridade é o curto prazo, logo, comprar presentes, invés, de pensar no futuro.

AUTOR: SÍLVIO PERSIVO –  COLUNISTA TEIA DIGITAL

PROFESSOR, ECONOMISTA E JORNALISTA

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