Daniel com uma mão no governo de Rondônia, Confúcio com a outra no Senado – por Robson Oliveira

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Atualizado: dezembro 13, 2017

LOROTA

Não passa de lorota para acalmar o mercado financeiro as declarações governamentais de que terá força para aprovar a Reforma Previdenciária ainda este ano. Em 2018, antes das eleições, também não haverá clima para colocar a proposta em votação, mas entre a apuração das urnas e o final e posse da próxima legislatura é bom o trabalhador ficar atento porque o golpe está sendo engendrado para este período.

REAÇÃO

Os congressistas têm em mãos pesquisas nacionais indicando que a proposta da Reforma da Previdência é rejeitada por mais de sessenta e cinco por cento da população. Embora todos saibam que esta área precisa de ajustes para que não quebre nos próximos anos, a proposta defendida pelo Governo Federal é dissenso dentro do próprio governo, o que revela um descompasso entre o que os governistas falam para o mercado com o que discutem internamente. Percebendo que a conta da reforma recairia tão somente nas costas do trabalhador, a reação contrária é justificável.

LEÃO

A reforma tributária, igualmente importante para o país, sequer está na pauta dos congressistas por afetar privilégios empresariais e a fome atávica por recursos da União. O leão estatal ruge feroz para tributar quem trabalha e produz no país e silencia quanto à distribuição equânime dos recursos entre as administrações para que o mesmo tributo retorne ao contribuinte em forma de serviços públicos.CANDIDATO

Apesar das diversas declarações públicas feitas pelo governador Confúcio Moura de que não é pré-candidato a senador nas eleições de 2018, um ato público promovido por colaboradores e correligionários do PMDB de Ariquemes, sábado passado, lançou oficialmente a postulação do governador ao Senado Federal com direito a faixa. Já há quem diga que o adereço (faixa) possa ser caracterizado como crime eleitoral antecipado.

SURPRESA

 Não é surpresa para nenhum jornalista político que Moura seja candidato a candidato ao Senado Federal, mesmo negando. Todas as vezes que se aproximavam as eleições seja de prefeito seja de governador, Confúcio declarava publicamente que não disputaria, mas reservadamente inflava os correligionários a defender tais candidaturas. Dessa vez não é diferente. A única diferença é que a versão dissimulada não consegue enganar nenhum incauto. Quem se surpreende é porque não é do ramo.

PROJETO

Também não será surpresa a hipótese de Confúcio Moura deixar o PMDB em direção ao PSB e apoiar uma eventual candidatura a sucessão do vice-governador Daniel Pereira. Ao assumir a titularidade do cargo é pule de dez que o vice queira virar titular por mais quatro anos e há conversas no interior do palácio sobre a possibilidade de Pereira vir a ser oficialmente o candidato de Confúcio Moura. Um projeto que o vice está levando a sério e já entabula conversas com outros partidos neste sentido.

PERFIL

Confúcio Moura tem defendido internamente um sucessor com perfil diferente dos candidatos cogitados pela mídia e chegou a especular os nomes do atual secretário de fazenda (Vagner Garcia) e do planejamento (George Alessandro Gonçalves Braga). Como ambos não empolgaram os caciques do PMDB nas consultas feitas a governador, passou a estimular o vice para que se lance na disputa.

MODELO

Isto significa dizer que não passa pela cabeça do governador apoiar o presidente da Assembleia Legislativa, Maurão de Carvalho, conforme declarou num regabofe recente promovido pelo PMDB. O perfil de Governo defendido por Confúcio Moura se enquadra no modelo do atual vice. Totalmente diferente do modelito de Maurão. Apesar de que Maurão tem se esforçado para melhorar sua apresentação em público com um comedimento pouco usual.

ERIÇADO

Quem está abespinhado com as movimentações de Confúcio Moura em direção à Câmara Alta é o senador Valdir Raupp. Por diversas ocasiões públicas e privadas, Moura jurava apoio ao senador peemedebista e anunciava que não disputaria com ele o mesmo cargo. Raupp chegou a acreditar no governador e agora está com os pelos da cara eriçados com o anúncio da candidatura ao Senado de Confúcio Moura.

CANDIDATO

O prefeito Jesualdo Pires (PSB), de Ji-Paraná, em conversa com a coluna avisou que está propenso a colocar o nome por uma vaga no Congresso Nacional. Confirmou que deixa a prefeitura início de abril para disputar as eleições e é um nome cobiçado por várias legenda para vice-governador. Jesualdo é hoje o prefeito mais bem avaliado e administra o segundo maior colégio eleitoral do estado o que aumenta o cacife para 2018. Além de bom gestor, conhece como ninguém os meandros da política e, portanto, avalia o cenário e os atores na disputa para decidir o destino eleitoral.

LEVEZA

Foi um deleite para as mentes felizes o discurso de posse do novo presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia, desembargador Walter Waltemberg Silva Júnior. Em sua fala percebeu-se a leveza com que a corte deverá ser conduzida pelos próximos dois anos. Historicamente com ares medievais e dissociada do povo, Waltemberg – constitucionalista garantista da melhor qualidade – deverá estreitar a relação do Poder com os jurisdicionados com a mesma autoridade de quem fez uma brilhante carreira togada sem perder o espírito humanista que lhe é peculiar. Este cabeça-chata teve a honra de tê-lo como orientador na conclusão do curso de Direito e percebeu que quase duas décadas depois o desembargador continua ministrando aula melhor ainda, em particular, de simplicidade. Se as vaquinhas dele são felizes, imagine os jurisdicionados!

RECOMENDAÇÃO

William Haverly Martins – fundador da Academia Rondoniense de Letras – lançou mais uma obra ficcionista que tem provocado muito debate nos meios acadêmicos. Intitulada o “Réu do Sexo”, a obra é prefaciada pelo juiz federal Dimis Braga e apresentada pelo ex-reitor José Dettoni. Embora a obra seja instigante desde o início e que leva o leitor a colocar outros personagens à história original, é um livro de ficção ambientado em Rondônia, e que poderia sê-lo em qualquer estado da federação. Recomendo como boa leitura neste final do ano. Aliás, adquiri alguns exemplares para ofertar como presente de Natal a amigos leitores.

 

 

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