Ministra Damares não sabe se continua no Governo Bolsonaro

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Atualizado: julho 4, 2019

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves , disse nesta quarta-feira que ficou “muito triste” com uma lista que circulou no Congresso Nacional e excluía sua pasta das prioritárias para receber recursos públicos. Ela diz ter feito uma reclamação dura internamente no governo e que isso poderia até lhe custar o cargo. As afirmações foram feitas em seminário sobre adoção, que ocorreu nesta tarde no ministério.

— Eu fui muito dura com quem fez a lista. Editem essa parte do vídeo [o evento estava sendo filmado], por favor. Fui muito dura. Acho que os ministros não precisavam ter lido o que eu escrevi, mas eu escrevi com ira, muita ira… Não sei se eu permaneço ministra depois do que eu escrevi hoje — disse, sem explicitar onde e para quem ela teria feito as críticas.

Segundo pessoas próximas, Damares teria recebido uma ligação de um parlamentar antes do evento, relatando que tentou direcionar cerca de R$ 2 milhões para o ministério, mas foi aconselhado a retirar o pedido e reapresentá-lo indicando a verba para outras pastas. De acordo com o que O GLOBO apurou, os ministérios prioritários seriam Infraestrutura, Educação, Desenvolvimento Regional e Agricultura.

Dentro do ministério de Damares, a lista é vista como uma interferência da Casa Civil no processo de escolha da destinação de emendas parlamentares. A crítica pública nesta quarta seria uma forma de explicitar o descontentamento da pasta com essa política.

— Não dá mais para a gente subestimar a infância no Brasil. Não dá mais — comentou a ministra durante o evento.

Dificuldades da adoção

Durante o evento, Damares também criticou as dificuldades de adoção de crianças indígenas:

— Tem uns antropólogos que fizeram concurso um dia desses, entraram na Fundação Nacional do Índio (Funai), e eles aprenderam que a gente não pode tirar a criança da cultura, porque é uma interferência cultural. E eles se manifestam: uma, duas, três vezes no processo. Dizendo ‘não, não, não’, sem nunca ter visto a criança.

De acordo com a ministra, apesar de os servidores agirem dessa forma, muitas vezes eles não se manifestam.

— A gente tem processo de adoção de crianças indígenas que o juiz pede para a Funai se manifestar, porque a lei obriga, uma vez, duas, três… Nós temos caso de onze anos: o juiz pedindo pra Funai se manifestar e não tem técnico o suficiente para se manifestar — criticou.

FONTE: O GLOBO

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