Polícia apreende de armas em flutuantes de fazendeiros à beira do Rio Jamari

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Atualizado: julho 24, 2019

Armamento foi apreendido nas fundiárias de fazendas pertencentes a um advogado e uma suposta empresária evangélica do ramo imobiliário da capital

A Polícia apreendeu um verdadeiro arsenal de armas em flutuantes de balneários à beira do Rio Candeias, nas fundiárias de fazendas pertencentes a um advogado e uma suposta empresária evangélica do ramo imobiliário da capital rondoniense.

Dois irmãos foram denunciados por agricultores do Projeto de Assentamento Flor do Amazonas – Marcos Antônio e Antônio Marcos (foto) -, que seriam foragidos do sistema penitenciário do estado do Ceará. A dupla teria sido contratada por ‘gerentes’ das fazendas para atuar na ‘segurança’ dos fazendeiros em uma área complementar do assentamento ocupada ao menos cinco anos naquela região controlada pelo INCRA.

Foram apreendidas uma escopeta calibre 12, três espingardas calibre 16, 20 e 36, além de revólveres e munições. Na operação da Polícia rondoniense, a Delegacia do município-sede não informou se os dois irmãos teriam sido presos, bem como não revelou os nomes dos gerentes acusados de contratá-los.

Um dos irmãos, há uma semana, foi reconhecido como sendo o que assaltou uma agricultora no setor de chácaras da Linha do Caju, a cinco quilômetros da cidade de Candeias. Na ocasião, sob a mira de um revólver, a vítima foi obrigada a entregar ao ladrão o celular, dinheiro e outros objetos pessoais.

Na Delegacia local, por ocasião das denúncias em desfavor da dupla e de um segundo grupo de ‘jagunços armados’ consta que grupos de jagunços rondam, diariamente, de motocicletas e em veículos com película escura as áreas do PA Flor do Amazonas (Linha 2, 3 e 4) e na região do Acampamento  Boa Sorte, ao longo do Igarapé do Taboca, onde o médico Luís Henrique (cardiologista da Ameron) e um advogado – que seria irmão de um ex-juiz da Comarca de Colorado do Oeste – tentam expulsar as famílias incendiando casas, envenenando animais, poços artesianos e destruindo plantações de subsistência (milho, feijão, mandioca e fruteiras).

Imagens meramente ilustrativas

As armas apreendidas na operação relâmpago feita pela Polícia nos  flutuantes á beira do Rio Candeias, após a Reportagem deste site de notícias são idênticas às apreendidas em outra operação autorizada pela Justiça em poder do engenheiro B.R, 39, preso no meio da aruá Marechal Rondônia, em Candeias, de 2018, depois de constatado alteração e embriaguês atirando da varanda da casa onde mora.

Em relatório reservado, uma fonte da Polícia Militar local, revelou que o elemento, à época, foi detido e preso, após revista pessoal exibindo uma arma de fogo atirando em direção à rua. Na ocasião, portava na cintura uma pistola 7.65, carregada com 10 munições intactas. Numa segunda vasculha, no interior do imóvel, policiais apreenderam ainda um revólver 38 e várias cartelas de diferentes calibres.

A mesma situação a Reportagem constatou que, tornaram cenas comuns vaqueiros, jagunços, madeireiros e fazendeiros circularem na cidade fortemente armados por bairros e vilarejos (Santa Cecília, Invasão, Linha do Caju, Vila Nova Samuel, Ramal São Pedro, Distrito Colina, Lago Samuel e Distrito de Triunfo).

Paralelamente às denúncias de que o Vale do Jamari, recheado de ricas terras férteis em áreas ainda devolutas da União sob a responsabilidade do Incra estadual, foi transformado ‘no mais novo paraíso de pistoleiros e narcotraficantes’, ficaria difícil definir até mesmo o papel do Governo Federal na questão da segurança das famílias assentadas pelo Ministério da Reforma Agrária nessa parte do Estado rondoniense.

Desde que o Incra passou a ser comandado por técnicos agrícolas (e pessoal não habilitado por deputados federais e senadores, muitos dos quais, presos em operações da Polícia Federal, entre as quais, ‘Operação Terra Limpa’ e ‘Terra Boa’, grandes faixas de terras devolutas da União passaram a ser desmembradas dos Projetos de Assentamentos para estudos de regularização fundiária e ambiental.

Porém, logo a seguir, são (re) demarcadas e vistoriadas sob a coordenação da Chefia de Divisão de Recursos Fundiários e com uso de Drone entraria em campo parte da equipe técnica do órgão para garantir o suporte nos ‘cortes’ com a ‘famosa ajudinha’ aos novos proprietários, denuncia um ex-agrimenssor credenciado que negou a identidade.

São esses desmembramentos, com supostas características de legalidade dadas aos novos processos de posse, ‘é que os conflitos no campo, com mortes absurdas de lideranças dos movimentos de acampados, recrudescem’, adiantou a fonte anônima que diz trabalhou na abertura das picadas nas fazendas do médico Luís Henrique e de um conhecido advogado, que agora tentam expulsar mais de 60 famílias das áreas contínuas do PA Flor do Amazonas.

Além dos crimes cometidos contra assentados e posseiros em terras da União, na Capital e interior do Estado, sobretudo em áreas que já existem assentamentos do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e que, anda assim, sofrem  desmembramentos, a maioria dos novos posseiros não teriam o perfil exigido pelo INCRA – como é o caso de madeireiros, fazendeiros, funcionários públicos e políticos.

Sobre o assunto, o Procurador Federal, na segunda-feira 22, através de uma comissão de representantes do Acampamento Boa Sorte, criado em áreas contínuas do PA Flor do Amazonas, recebeu documentos emitidos pelo próprio INCRA que as terras pertencem à União.

Porém, o ex-servidor do órgão Lenil Sobrinho, o cardiologista da Ameron, Luís Henrique, um suposto advogado e a mulher de um grileiro de pré-nome Hernandes, tentam se apossar de grandes faixas terras consideradas as mais férteis do PA Flor do Amazonas, a mando do Juízo Estadual.

Fonte: CNR/Xico Nery

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