PF inicia ação que investiga pagamento de propina a Jucá

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Atualizado: novembro 8, 2018

Autoridades cumprem nove mandados de busca e apreensão, sendo sete em São Paulo (SP), um em Santos (SP) e um em Campo Limpa Paulista (SP)

A PF (Polícia Federal) iniciou a operação Armistício na manhã desta quinta-feira (8) para investigar pagamento de propina da Odebrecht ao senador Romero Jucá (MDB).

A estimativa das investigações é de que os valores indevidos chegaram a R$ 4 milhões.

As autoridades cumprem nove mandados de busca e apreensão, sendo sete em São Paulo (SP), um em Santos (SP) e um em Campo Limpa Paulista (SP).

A ação apura uma resolução do Senado de 2012, que visava restringir a guerra fiscal nos portos brasileiros.

Segundo a PF, “medidas foram deferidas pelo Ministro Edson Fachin, no Inquérito 4382-STF”.

Os delatores Claudio Melo Filho — então diretor de relações institucionais da Odebrecht —, Carlos Fadigas e Marcelo Odebrecht mencionaram a atuação de Jucá quando firmaram suas colaborações premiadas, baseando a abertura da investigação.

Procurada pelo R7, a assessoria de Jucá afirma que a defesa está se informando sobre o caso e se manifestará em breve.

Delação

A resolução unificou as alíquotas do ICMS para acabar com a disputa fiscal entre os Estados para aumentar os desembarques em seus portos. Melo Filho, que disse ter conduzido as negociações com Jucá sobre a matéria, disse que o senador, por ter sido “líder de vários governos”, era enxergado pela empresa como “a porta de entrada” para a defesa dos interesses da empresa no Senado. Após a aprovação da resolução, porém, Jucá teria solicitado o pagamento pedindo ajuda para o processo eleitoral.

O diretor também disse acreditar que Jucá não era apenas uma liderança política do MDB, mas que ele “concentrava a arrecadação e distribuição dos recursos destinados ao partido”, e atuava em parceria com os senadores Renan Calheiros (MDB-AL) e Eunício Oliveira (MDB-CE).

Segundo relatos, a preferência dada a Jucá na interlocução sobre a guerra dos portos deixou um outro parlamentar “chateado”: o então senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS). Ele teria procurado interlocutores na Odebrecht para entender por que não havia sido “contemplado na discussão”. Após o movimento, Delcídio teria recebido um pagamento de R$ 500 mil.

A reportagem ainda não conseguiu manter contato com as defesas de Oliveira e Calheiros.

FONTE: R7, com Estadão Conteúdo

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