Nove em cada dez aposentados dependem só do INSS para viver

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Atualizado: fevereiro 6, 2019

Apenas 6% deles têm plano de previdência privada.

Ela é a prioridade número um do presidente Jair Bolsonaro.Mas assusta muitos brasileiros.
“Eu tento me preparar pra não depender do governo, de reformas que possam vir ou não possam vir”.

Mexer no formato das aposentadorias pagas pelo governo federal vai afetar a maior parte do país, já que nove a cada dez brasileiros aposentados dependem desse dinheiro para sobreviver nas contas da Associação Brasileira das Entidades do Mercado Financeiro. Na pesquisa, a Anbima entrevistou 3.452 pessoas com 16 anos ou mais em 152 cidades do país.

Ela mostrou também que casos como o do engenheiro pernambucano César Falcão são raridade. Ele começou a economizar assim que conseguiu o primeiro emprego, aos 22 anos. Hoje, aos 31, até ajuda os amigos.

“Quando eu fui aprendendo sobre finanças pessoais, eu comecei a focar na minha aposentadoria. Eu tento me preocupar com o que está ao meu controle. E, ao meu ver, a previdência pública brasileira não tenho como interferir nas regras, então eu prefiro controlar o que está nas minhas mãos. eu me preparo independente do que vai acontecer. O nosso a gente controla. O do governo, não”, conta.

Apenas 6% dos brasileiros com mais de 16 anos têm algum tipo de previdência privada, a aposentadoria complementar com depósito do próprio bolso, feito direto no banco, que faz ele render.

Acontece que mesmo sob a expectativa para a reforma, o número de pessoas que escolhem esse tipo de investimento não vem mudando muito. Para o especialista em investimentos do Itaú Unibanco, Martin Iglesias, isso tem a ver com a cultura do país.

“O Brasil tem características sociais, digamos assim, que não são as melhores características em termos de hábitos de poupança. Tem alguns estudos sobre comportamento que falam sobre extroversão – um comportamento que atrapalha hábitos de poupança, de guardar dinheiro. Então, tem extroversão e otimismo. Pessoas com bastante otimismo tendem a guardar menos também porque acham que o futuro vai ser melhor. As nossas características e os hábitos de guardar dinheiro do brasileiro não são bons. E não tem necessariamente a ver com níveis de renda”, diz ele.

O diagnóstico de quem foi ouvido pela reportagem é unânime: sem mudança de consciência da população e sem uma reforma de ponta a ponta, viveremos um colapso. O Jorge Félix, especialista em envelhecimento e professor da Fesp, entende que a proposta de Bolsonaro que está na mesa mantém desigualdades do sistema.

“Ela não está começando por aqueles que são privilegiados. No caso, seriam os militares. Deveriam ser os primeiros a entrar numa reforma se a justificativa dessa reforma é verdadeiramente resolver um problema fiscal. Porque os militares são responsáveis por 45% do déficit do setor público”, defende.

*No próximo capítulo da série, um Brasil dividido entre aqueles que têm uma segunda chance para se aventurar em uma nova carreira e outros tantos que precisam batalhar uma renda extra ao serem descartados pelo mercado.

“É uma realidade nossa, muita gente realmente precisa ter uma renda extra porque chega no final da vida não tem, mesmo que seja aposentadoria do INSS, isso não é renda pra viver.”

FONTE: CBN

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