Ex-presidente da Petrobras ‘forçou a barra’ por propina, diz Odebrecht

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Atualizado: novembro 9, 2017

Empresário relata reuniões “escondidas” com Aldemir Bendine

O empresário Marcelo Odebrecht afirmou em depoimento ao juiz Sérgio Moro, nesta quinta-feira (9), que só cedeu aos pedidos de propina do ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine quando o executivo assumiu o cargo na estatal de petróleo.

O depoimento faz parte da ação penal que investiga Bendine por supostamente solicitar propinas milionárias à construtora.

Segundo Odebrecht, Bendine sinalizou um primeiro pedido de propina, no valor de R$ 17 milhões, ainda quando era presidente do Banco do Brasil. O valor correspondia a 1% da renegociação de uma dívida que a empresa tinha com o banco no valor de R$ 1,7 bilhão.

Os pedidos eram feitos sempre por meio do publicitário André Gustavo Vieira, apontado como operador de Bendine, e do executivo da Odebrecht Fernando Reis.

— Eu não dei muita bola para esse achaque. Orientei o Fernando a negar.

O dono da construtora diz que não tratava diretamente com o ex-presidente da Petrobras, já que os acertos eram feitos sempre entre Fernando e André, que tinham uma “relação antiga”.

— Eu já conhecia o Bendine, tive inúmeras reuniões com ele, mas eu não costumava dar espaço para esse tipo de abordagem.

O empresário conta ainda que, após Bendine assumir a presidência da Petrobras, em fevereiro de 2015, as coisas mudaram.

— Quando ele entrou como presidente da Petrobras, a partir daí ele mesmo forçou a barra para que tudo [propina] viesse…

O ex-presidente da Odebrecht relata três reuniões em que Bendine, André Gustavo Vieira e Fernando Reis estiveram presentes.

— Claramente, o Bendine não queria ter reuniões oficiais comigo. […] Os temas que eu tratei eram legítimos. A questão era que por trás desses temas todos nós sabíamos que existia um pedido por trás. E a maneira como essas reuniões tiveram que ser marcadas.

Senha para propina

Segundo Marcelo Odebrecht, em maio de 2015, ele se encontrou por pelo menos duas vezes com Bendine em um escritório de advocacia, em encontro organizado mais uma vez por Vieira e Reis.

— O André e o Fernando disseram que no contexto da reunião ele falaria como se fosse uma senha e que ficaria evidenciado o pedido de propina. Os temas em si eram legítimos. O que foi de diferente nessa reunião é que, no meio dessa discussão de Lava Jato e temas da Petrobras, aí sim ele trouxe claramente aquelas palavras da forma que o André havia me dito como sinal de que o pedido existia. Foi mencionando “financiamento”, entendo que deu certo, foi tudo bem… fora do contexto do assunto totalmente. Eu saí dessa reunião e não tinha a menor dúvida de que existe o pedido.

R7 ainda não obteve posicionamento da defesa de Aldemir Bendine sobre as afirmações de Odebrecht

Fonte: R7

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