Doze militares são denunciados à Justiça Militar por homicídios de catador e músico

Escrito por
Atualizado: maio 10, 2019

A 1ª Procuradoria de Justiça Militar ofereceu denúncia à Justiça Militar contra 12 militares pelos homicídios do músico Evaldo Rosa dos Santos e do catador Luciano Macedo e pela tentativa de homicídio de Sergio Gonçalves de Araújo, o carona no veículo, padrasto da mulher de Evaldo. De acordo com o Ministério Público Militar (MPM), “a conduta dos denunciados desrespeitou o padrão legal de uso da força e violou regras de engajamento previstas para operações análogas, em especial o emprego da força de forma progressiva e proporcional e a utilização do armamento, sem tomar todas as precauções razoáveis para não ferir terceiros”.

Foram denunciados o tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo, o sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva, o cabo Paulo Henrique Araújo Leite e soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins, Vítor Borges de Oliveira e Wilian Patrick Pinto Nascimento. Todos os militares são lotados no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar.

A denúncia é assinada pelas promotoras Najla Nassif Palm e Andrea Helena Blumm Ferreira. Elas não pediram a prisão dos três militares que estão em liberdade. Nove estão presos.

De acordo com o MPM, os militares não prestaram socorro imediato às vítimas e, por isso, também vão responder pelo crime de omissão de socorro. Luciano Macedo só foi socorrido com a chegada da ambulância do Corpo de Bombeiros e morreu 11 dias depois, no Hospital estadual Carlos Chagas.

Segundo levantamento realizado pelo Exército, os militares dispararam 257 tiros de fuzil e de pistola. Já com as vítimas não foram encontradas armas ou outros objetos de crime.

Para o MPM, os militares confundiram o carro de Evaldo com o de criminosos que haviam assaltado um carro branco pouco antes. De acordo com a denúncia, dois disparos atingiram o carro de Evaldo num primeiro momento: um não fez vítimas, e o outro entrou pela caixa de rodas do setor traseiro esquerdo atingindo a base das costas do motorista. Outros disparos feitos pelos denunciados nesse primeiro momento atingiram o gradil do Piscinão de Deodoro e o muro da Comlurb, localizado na esquina entre a Travessa Brasil e a Estrada do Camboatá.

Com Evaldo atingido, o veículo ainda rodou cerca de 100 metros, controlado pelo carona, antes de parar. Nesse momento, os ocupantes do banco de trás desceram do carro, buscando refúgio e ajuda num prédio próximo, conhecido como “Minhocão”. Luciano, que passava pelo local, tentou socorrer Evaldo.

Os militares chegaram em seguida e se depararam com o veículo, parecido com aquele usado na fuga, um Ford Ka branco, parado. Supondo tratar-se dos autores do roubo do Honda City, o tenente e, na sequência, os demais denunciados dispararam com fuzis e pistolas contra o veículo e contra Luciano Macedo, que ainda correu em direção ao Minhocão, mais foi alvejado no braço direito e nas costas. Os disparos atingiram também um bar, uma oficina e alguns carros que estavam estacionados ali.

Evaldo Rosa, que permanecia desacordado no banco do motorista, foi atingido, pelas costas, por mais oito disparos de fuzil, sendo que dois disparos o atingiram de raspão.

FONTE: EXTRA

Comentar

Print Friendly, PDF & Email

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.