Devido à falta de alimentos, estabelecimentos estão apelando a pequenos produtores

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Atualizado: maio 26, 2018

Greve de caminhoneiros afeta cardápios; restaurante troca agrião por brócolis

Os efeitos do desabastecimento na cidade, provocado pela greve de caminhoneiros no país, já podem ser sentidos do café da manhã ao jantar. Devido à falta de insumos que deixaram de ser vendidos nos últimos dias em pontos como a Ceasa, bares, lanchonetes e restaurantes estão suspendendo alguns pratos e até drinques.

Alguns estabelecimentos estão adaptando receitas para não fecharem as portas. Saladas estão sendo cortadas de muitos cardápios, e até o agrião que acompanha a rabada já foi trocado por brócolis. Comerciantes aguardam a normalização dos serviços, devido à suspensão parcial da greve.

Aberto há duas semanas, o Kaló, no Centro, já está com aviso na porta alertando para a falta de alguns pratos que levam, principalmente, manjericão, couve e salsinha. Na mesma situação está o Aurora, no Humaitá. Até uma filial da rede McDonald’s, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, já avisou que suspendeu a venda do tradicional Big Mac devido à falta de salada e pão. A situação é parecida na unidade da lanchonete em Vila Isabel.

A troca do agrião por brócolis ocorreu no restaurante Adega Barril, no Recreio dos Bandeirantes. Apesar de inusitada, os proprietários do estabelecimento garantem que o prato agradou. O chef Elia Schramm, que criou os cardápios dos restaurantes Pici Trattoria, Brasserie Mimolette, Luce e Oia diz que está sentindo falta, principalmente, dos laticínios que chegam de produtores da Serra Mineira. Ele diz que tem apelado para substituições:

— A palavra do momento é adaptação, e os clientes têm sido compreensivos. Em vez do creme de leite, que está em falta, tenho usado o molho bechamel. Mas não fica a mesma coisa. Um celíaco, por exemplo, não pode comer, pois leva farinha de trigo.

Sócia do Stuzzi e do Empório Jardim, Paula Prandini sente falta do creme de leite para doces, e também de verduras, legumes e ervas em geral como salsinha, que está sendo substituída por cebolinha e coentro. O tempero, no entanto, não costuma ser bem aceito pelos clientes. — Estamos fazendo um balé. A sorte é que, no momento, está frio e dá para adaptarmos o menu diário para as massas — explica Paula.

No Delfina, no Village Mall, um dos sócios da casa, Julio Cezar Barroso, está subindo a serra até Teresópolis para poder trazer as hortaliças que a casa de sanduíches e saladas tanto precisa: — Lá eu consigo pegar algumas hortaliças frescas como alface lisa, rúcula, alecrim, hortelã… Por isso é que, por enquanto, não estamos deixando de servir nada. Mas espero que isso tudo acabe logo — torce Julio.

APELO A PEQUENOS PRODUTORES

Apesar da greve, o chef Ricardo Lapeyre do Laguiole Lab, no Museu de Arte Moderna, garante que está passando por esse momento de escassez sem maiores atribulações. Além de os pratos de algumas de suas casas mudarem todos os dias, o que permite alguma mobilidade no cardápio, grande parte de seus fornecedores são pequenos produtores da cidade. Mas nem tudo é entregue por eles:

— Trabalhamos muito com orgânicos, mas tem coisa que eu realmente já estou sentindo falta. A nossa ostra, por exemplo, vem de Santa Catarina e, se ficar muito tempo assim, teremos que adaptar. Também tenho um casamento para fazer neste sábado e preciso arrumar urgentemente alguém que forneça ovo de codorna, o que está bem difícil.

No Meza Bar, no Humaitá, a chef Andressa Cabral também está tentando absorver o impacto da falta de hortifrutigranjeiros que compõem os pratos e, principalmente, os drinques do estabelecimento:

— Para mim é uma pedrada. As decorações (dos pratos e drinques) ficam muito comprometidas. Algumas ervas eu vou desidratar, e estamos procurando contato com fornecedores locais. Além disso, vou usar alguns microgreens (vegetais orgânicos que podem ser cultivados em casa). Acho que a solução temporária pode ser essa.

FONTE: Agência O Globo

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