O coronel dá o primeiro tiro no pé. Pode ser um risco fatal – por Gessi Taborda

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Atualizado: outubro 9, 2018

TIRO NO PÉ

O coronel Marcos Rocha ganhou o direito de disputar o segundo turno na eleição para escolha do governador de Rondônia impulsionado pela vitória de Jair Bolsonaro. Em primeiro lugar ficou Expedito Júnior, do PSDB, que mais uma vez encontrou resistência no eleitorado da capital, principal motivo de não ter vencido em primeiro turno. O coronel, pelo que sabe, é neófito na política e principalmente em disputas eleitorais. E, pelo visto, ainda não conseguiu uma assessoria de qualidade, pois acaba de dar o primeiro tiro no pé, ao tornar pública aliança de apoio recebida de, isso mesmo, Acir Gurgacz, o homem do PDT no estado, que por ser corrupto e ter condenação em 2ª instância do judiciário foi retirado da campanha.

PISADA DE BOLA

Marcos Rocha tomou essa decisão inusitada pouco depois de ter garantido que não faria aliança de tipo algum para a disputa do segundo turno. Foi uma terrível pisada de bola. Principalmente nesse momento em que Expedito Júnior já oficializou seu alinhamento com o capitão Jair Bolsonaro que terá como coordenador da campanha em Rondônia exatamente Marcos Rogério, eleito senador na chapa de Expedito. A pisada de bola do coronel Marcos Rocha, antigo colaborador de Confúcio Moura, vai ajudar o 45 a manter o volume de seguidores, ampliando-os ainda mais com sua oficialização de apoio a Bolsonaro.

NEM TERCEIRÃO

Só mesmo a falta de uma coordenação competente poderia levar um candidato arrastado na ondo do bolsonarismo a fechar acordo com um político ameaçado de ser preso nos próximos dias e que na disputa não foi nem terceirão. A foto do coronel ao lado de Acir e do intragável Neodi (um puxa-saco de Cassol e muitas vezes denunciado como suspeito no comércio ilegal de madeiras) circulou nas redes sociais (Facebook). É uma ferramenta boa para desidratar o eleitorado surpresa que conseguiu no primeiro turno, principalmente se ficar consolidada a ideia de que tudo aconteceu para manter o domínio do clã Gurgacz no rico Detran rondoniense.

MUDANÇAS

Já está mais do que claro: o candidato Expedito Júnior – depois de longa temporada longe da política no estado – reciclou sua visão e ampliou seus compromissos com a população levando em conta o desejo de mudança dos rondonienses. Sua primeira atitude após o fechamento das urnas no domingo foi garantir que continuará na campanha se fazer alianças com siglas e caciques políticos rondonienses: “Minha aliança continuará sendo com o povo”, disse o candidato em entrevista coletiva ao encerramento do primeiro turno.

EXPEDITO É MUDANÇA

Expedito não só mostrou ter compreendido os anseios do eleitorado, ávido por mudanças e agastado com as mesmices, mais interessado numa busca da política mais à direita. Ele chegou em primeiro lugar por deixar claro ser o nome para evitar que Rondônia vá para o brejo se continuar caminhando desse jeito quase parando por falta de uma boa condução econômica e também ética de combate à corrupção.

SEM CHANCES

Continuo na mesma linha editorial das últimas colunas: o PT não tem chances de vencer. O recado das urnas foi claro. Ninguém quer o Brasil caminhando pela esquerda, se espelhando em regimes como o da Venezuela ou de Cuba. O PT não conseguiu apagar a realidade de que foi sua má gestão, inclusive na economia, que gerou coisas como pedaladas fiscais, corrupção generalizada, falta de Segurança, Saúde, Educação (onde surgiu até kit gay), de simplificação da burocracia. Então certamente não vai ganhar imaginando uma decisão do “eles contra nós”. O Brasil quer se unir em torno de sua bandeira verde-amarela e não do bolivarianismo venezuelano.

É CLARO QUE PESOU

Em determinado momento a coluna considerou com altas as chances de Expedito Júnior obter uma vitória de segundo turno. E isso possivelmente não aconteceu pelo caos político rondoniense, com a candidatura de Acir Gurgacz (até então na vice-liderança da corrida sucessória) ter ido para o vinagre. Mas não foi só isso. Certamente pesou também o ninho partidário de Expedito (PSDB), num momento em que o candidato tucano na disputa presidencial colocou como alvo principal de suas críticas Jair Bolsonaro. Ora, a maior parte da população começou a se afastar do PSDB pois o discurso tucano deixou de reconhecer o lulopetismo como responsável pela tragédia econômica, política, social e moral do país.

CARÁTER

Expedito deveria ter rompido com o tucanato emplumado no exato momento em que o decadente Alckmin elegeu como seu inimigo Jair Bolsonaro. Como fazia de forma clara, em São Paulo, João Dória. Mas o candidato rondoniense preferiu demonstrar seu bom caráter e continuou sem reagir ao canto do tucanato emplumado.

Aliás, faltou também a Expedito um discurso com maior calibre de combate ao próprio PMDB, que foi uma continuidade de tudo o que não prestou nos governos anteriores, até mesmo em nível do país. Rondônia foi saqueada nos governos do (P)MDB a quem o coronel Marcos Rogério bateu continência por um tempo, até entrar no PSL estimulado pela saga do capital que virou mito.

RISCO DE CUMPLICIDADE

Existe muita expectativa em relação à campanha do segundo turno que, para muitos, é uma nova campanha. Certamente o Expedito dessa campanha não pode ser mais aquele político esquálido, temeroso de romper com essa coisa criada no petismo do “politicamente correto”. Vai ter de usar a linguagem popular para, por exemplo, mostrar-se decepcionado com a rápida aliança assumida por seu oponente coronel com o time arrancado da disputa pela prática da corrupção.

Ora, afinal qual político sério e preocupado com o futuro de Rondônia teria coragem de se aproximar de gente como Acir Gurgacz e Neodi Carlos se não estivesse disposto a ser indulgente com a corrupção, com as transgressões de todo tipo? Esse ato é uma sinalização que Expedito precisará explorar para demonstrar que sem ele pode existir de novo um governo de cumplicidade com organizações criminosas, com graves consequências para quem mora nas terras rondonienses.

GRITO

Se quiser chegar lá Expedito não pode ficar gratificado com a liderança do primeiro turno. Vai ter de subir ainda mais na preferência do eleitorado rondoniense e emplacar uma mensagem de compromisso com a capital. Se conseguir passar para o povo que ele é o caminho para tirar Rondônia da inércia da última década, exatamente por não ser um neófito na política – como é seu concorrente – e por não aceitar a proximidade e nem acordos “com os poderosos” que sempre deram as cartas no governo, as eleições podem ser vencidas.

PÍFIO

O povo terá de ser convencido de que o coronel de hoje não é o Teixeirão e com ele há riscos de um governo pífio, principalmente se cercado de políticos ligados ao sistema iníquo que o povo quer derrotar dessa vez. Enfim, como andei dizendo ainda hoje ao responder a pergunta de um cidadão do povo: vai ganhar a eleição quem neste momento encantar a plateia e errar menos.

É claro que Expedito Júnior também será procurado por políticos escorraçados nas urnas interessados em engordar privilégios e garantir vantagens pessoais. Quem fecha esses acordos corre o risco de perder a confiança dos aglutinados em seu redor, cometendo um erro fatal.

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