Em Linhas Gerais

Nova paralisação vai aumentar falência sem reduzir contágio – Por Gessi Taborda

FILOSOFANDO

“Num filme o que importa não é a realidade, mas o que dela possa extrair a imaginação”. CHARLES BERLITZ, linguista, escritor, arqueólogo e mergulhador americano. Nasceu em 1914, em Nova Iorque, e faleceu em 2003, na Flórida.

EDITORIAL

É pura questão de lógica: enfrentar a pandemia do Coronavírus com o isolamento obrigatório da ampla maioria da população é aceitar a implosão econômica como algo inevitável, aumentando ainda mais os dias de recessão. O efeito disso não desaparecerá de pronto quando a pandemia terminar. Não há consenso, nem entre os nomes mais respeitáveis da ciência sobre os efeitos do isolamento social no fim da pandemia.

É isso ai. As pessoas esquecem de uma trágica constatação: 40 a 50 por cento das mortes por coronavírus no mundo foram com idosos em asilos. Portanto de pessoas que já estavam isoladas socialmente antes da pandemia. Aqueles crentes de que o isolamento é a “grande solução” esquecem-se do outro lado da crise, certamente tão dolorosa quanto a própria doença, a econômica.

Por se tratar de uma pandemia que ninguém e nenhuma ciência pode dizer quando chegará ao fim, também faltam respostas em matéria econômica. Não existe garantia de que lacrar mais uma vez segmentos da economia, ou impedir a circulação de pessoas de forma radical vai resolver a questão dos contágios e aumentar a recuperação dos infectados.

Se parte da população (a mais pobre) não puder trabalhar vamos continuar com pouca margem para melhorar nosso otimismo. A decisão do governo de exigir que o estado (e não só Porto Velho) volte à fase mais dura de seu decreto do lockdown caipira leva todos à crença de que estamos longe de chegar ao fim da pandemia.

Ontem não deu para perceber nenhum efeito prático do endurecimento das medidas de isolamento na capital rondoniense. Praticamente tudo estava funcionando.

O trânsito – como bom termômetro – mostrava-se muito movimentado. Parece que todo mundo estava nas ruas. Mais uma temporada de lacramento (e esse novo período, segundo o tal decreto, vai até o dia 13 de junho) é mais homens e mulheres sem trabalho, é mais empresas que quebram, é mais esperanças que são sufocadas.

Nem todos os municípios estão dispostos a enfrentar outro período mais duro de enfrentamento do Covid19. Cidades importantes do interior de Rondônia anunciaram, ontem mesmo, que vão desrespeitar o decreto do governador Marcos Rocha. E a população, levada a se convencer que essa retomada mais dura do isolamento é fruto da recomendação de “cientistas e técnicos”  (que cientistas, que técnicos??) também rejeitam mais uma temporada de solidão e medo. Não dá para aceitar que o enfrentamento ao Covid19 começa agora… Afinal, do que valeu então todo esse tempo de quarentena e lacramento da economia?

As autoridades pretendem nos convencer com a apresentação de números. E assustadores. Em poucos dias, o aparente controle da doença começa a escorrer tal como água pelas mãos. Os dados de junho são reveladores. Mas a grande maioria da população não acredita mais, simplesmente, numa explosão de casos de mortes pelo Covid19, especialmente em Porto Velho. É claro que, olhados isoladamente, os números de Rondônia preocupam, não a ponto de um trancamento total de novo.

Ainda não vivemos aquele pesadelo de outras cidades (Manaus, por exemplo!) de covas coletivas. E talvez por isso ainda estamos distantes do negacionismo regional. Afinal, não há sinais de que tamanha tragédia como a do vizinho estado do Amazonas se abata sobre os rondonienses.

Começamos o novo mês paralisando a retomada mais ampla das atividades econômicas, principalmente no segmento comercial. O povo esperava exatamente o contrário disso: uma flexibilização maior. Esse é um novo dilema, de difícil solução. Por um lado, infectologistas e epidemiologistas apontam para a provável contaminação em massa, mesmo com todos os cuidados, como uso de máscara, contenção do fluxo de pessoas e uso de álcool em gel.

Por outro, empresários, economistas e trabalhadores não enxergam mais como a atividade econômica ficar parada. O governo federal não tem auxiliado a contento nenhum dos dois lados da moeda: o empreendedor não consegue linhas de crédito (apenas 10% dos R$ 40 bilhões prometidos efetivamente chegaram às empresas), o trabalhador tem dificuldade em acessar o auxílio emergencial – que também não pode ser eterno.

O governo rondoniense de Marcos Rocha atendeu o pedido do prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, ao reavivar seu decreto de lockdow meia-sola, que vale para todo o estado. Esta foi a saída encontrada após intensificar a conversa com chefes de executivos municipais, órgãos de fiscalização e controle do estado e lideranças do segmento da saúde. Isso ocorreu, como afirmam fontes palacianas, de um aparente distanciamento, especialmente após os prefeitos do interior terem optado por uma abertura mais ampla quando o Estado ainda pleiteava um isolamento mais profundo.

As medidas do curto lockdow meia-sola adotados pelo governo são, como afirmam seus defensores,  medidas necessárias em busca de um equilíbrio delicado e difícil de ser encontrado. A emergência sanitária coincide, tristemente, com a endemia social da pobreza e desigualdade social. Um casamento que obriga a convivência entre o necessário e o possível.

O comportamento social dos rondonienses (um povo festeiro por natureza) não tem ajudado o enfrentamento ao Covid19. Em Porto Velho,  ao menos, não é difícil encontrar grupos reunidos em postos de combustível e perto de food trucks, como se nada estivesse ocorrendo. Não é o caso de exigir que todos fiquem dentro de suas casas.

A realidade brasileira faz com que essa não seja uma opção para muita gente. Além disso, há os que trabalham em atividades essenciais (como os profissionais de saúde) e os deslocamentos para compras de itens de alimentação e medicamentos, por exemplo. Contudo, há quem possa, mas não quer ficar longe das ruas. A esses, o mínimo que se espera é um comportamento adequado, com o uso de itens de segurança e o distanciamento uns dos outros.

CRÔNICA

Por indicação li o livro de Arthur Koestler, O Zero e o Infinito. Não li de um só fôlego. Preferi sorver prazerosamente capítulo por capítulo. É leitura fundamental para se compreender bem a engrenagem de uma ditadura de esquerda, especialmente na justificativa (deles) filosófica para aniquilar opositores. O livro tem as características de um documentário sobre as entranhas do comunismo de Stálin, embora seja um romance de alta performance. Dá para tirar muitos ensinamentos dele e entender os horrores praticados por esse tipo de ditadura onde o nº 1 tem o mesmo peso de Deus.

Me fez lembrar a minha primeira leitura de um grande clássico de Victor Hugo, ainda na minha juventude. Aliás, recomendo a todos a leitura desses dois livros fundamentais. Se no livro de Arthur é perfeitamente clara como se dá a decadência moral nas esquerdas, onde líderes praticam as barbaridades mais extremas, também no livro do francês Victor Hugo fica-se diante de um retrato sem retoques das carências da alma humana. Vitor Hugo ensina que a miséria é ausência, falta, carência, indigência, penúria, pobreza em seus extremos.

No “Zero e o Infinito” o que leitor descobre é a indigência moral e espiritual de uma sociedade aferrada ao comunismo. E é isso que continua existindo mesmo num século, o nosso, em que as conquistas científicas e tecnológicas poderiam resolver muitos grandes problemas da humanidade. Qual lógica perversa permitir-nos-ia admitir que populações inteiras sofram o martírio da fome e do desabrigo? É humano assistir, passivamente, ao terror de uma criança vítima da miséria da subnutrição? Se isso servisse aos propósitos do nº 1, seria perfeitamente aceitável no comunismo de Stálin.

Nesses tempos assustadores da pandemia, creio não haver quem se tenha alheado dessa tragédia universal. E, de alguma forma, feito perguntas a si mesmo, ou apenas uma delas, talvez a mais angustiante: por que? E, seguramente, devemos ainda estar mais aturdidos. Pois, não há respostas e sobram-nos porquês. E, como sombras, fomos levados, de alguma forma, ao universo do mistério, do segredo, do além de nós – o mistério do desconhecido.

Tenho, porém, para mim, que – além das perguntas e dos temores – deveríamos atentar para o desnudamento dos seres humanos, para a revelação daquilo que somos e daquilo a que pertencemos. Com exceção de guerras e de conflitos coletivos, parece não mais haver dúvidas de estarmos enfrentando um momento histórico de profundas inflexões, de mudanças ainda imprevisíveis.

Não deveríamos, porém – antes de prever ou de imaginar o que virá pela frente – tentar entender o que a tragédia desnudou, o que estamos sendo e fazendo, o mundo que havíamos criado a partir de ganâncias e individualismos?

A dolorosa pandemia já nos revela a terrível paisagem de milhões – podendo chegar a bilhões! – de homens, mulheres e crianças miseráveis. Vítimas da miséria material, da miséria social, da miséria da injustiça e da crueldade. Desgraçadamente, essa multidão de sofridos miseráveis é a grande vítima dos miseráveis de amor, miseráveis de solidariedade, miseráveis de fraternidade – os que veem lucros e vantagens na dor e no sofrimento alheios. São abutres que se alimentam das lágrimas, dos cadáveres e do desespero da gente desprotegida e injustiçada.

São miseráveis as vítimas da miséria material. Mas, miseráveis, também, são governantes que priorizam negociatas nos desvios de recursos destinados ao combate da pandemia; os que fraudam ministérios públicos, como os da saúde, da educação. Miseráveis, os que sonegam informações, os que adotam decisões que exterminam empregos e mata a esperança. E os que deturpam a verdade. Miseráveis os causadores da miséria da fome – miseráveis morais, miseráveis espirituais, miseráveis de amor, miseráveis em humanidade.

PIOR

A Intenção de Consumo das Famílias atingiu em Junho seu pior resultado da série histórica, com queda de 14,4% em relação a maio e recuo de 24,1% contra igual mês de 2019. É o que diz pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. A pesquisa também apontou pessimismo dos consumidores em relação ao emprego e à renda. Mais da metade das famílias acredita que vai consumir menos nos próximos três meses: o maior percentual desde setembro de 2016.

EM ALTA

O arroz e o feijão, base da alimentação nacional, registraram alta variação de preços neste período de pandemia, pesando no bolso do brasileiro. É o que aponta levantamento realizado pela InfoPrice, empresa de tecnologia e inteligência de negócios focada em pricing do varejo físico, que levou em consideração o comportamento dos preços no período de 10 de fevereiro a 04 de maio.

Arroz, feijão, leite, massas, enlatados e carnes bovinas, bases do consumo doméstico das famílias, foram os itens que tiveram seus preços analisados pela Infoprice.

A pesquisa comparou a variação dos preços em 469 lojas físicas e 171.218 datapoints, que são um conjunto de informações que vão desde o nome do produto, seu preço, a loja em que ele se encontra, se ele está em promoção ou não, entre outras informações relevantes para precificação, sendo esse conjunto individual para cada produto único em cada loja.

A carne bovina foi o único produto que apresentou recuo em todas as praças pesquisadas. Os produtos de limpeza também pesaram no bolso do consumidor no período. As regiões Norte (4,24%) e Nordeste (4,15%) ocupam a liderança no avanço dos preços. Na sequência aparecem Sul (1,98%), Sudeste (1,88%) e Centro-Oeste (1,47%).

PERGUNTA

Qual o sentido de usar máscara dentro do carro quando se está sozinho?

PERGUNTINHA

Você sabe o nome do senador do seu estado que votou SIM pela censura na Internet? A pergunta vale também para aquele isentão que deixou de votar. Pois é, o PL da censura passou no senado e, sem pressão, pode passar na Câmara… Ah! Não vi o nome de nenhum senador de Rondônia na lista dos que votaram a favor da liberdade de expressão. Mas vi o nome de Acir Gurgacz votando para calar as redes sociais.

VENEZUELA

O Brasil segue firme rumo à venezuelização. À vontade, o projeto de censura passou no Senado. E de nada adianta alegarmos a inconstitucionalidade da bizarrice, pois se a lei for judicializada, o STF certamente não reconhecerá qualquer irregularidade. Assim, referendará a censura.

CORJA

Na ótica da grande corja dos políticos brasileiros o país não pode deixar de ser um simples e passivo fornecedor de matérias primas. Continuaremos, graças a essa corja, um eterno terceiro mundo.

ESSENCIAIS

Tem gente da política rondoniense tentando influenciar uma nova medida. Se der certo supermercados de Porto Velho terão de isolar produtos não essenciais enquanto durar o lockdow meia-sola do governo de Marcos Rocha.

BARRADOS

 A União Europeia (UE) confirmou na terça-feira (30) que países como Brasil e Estados Unidos estão fora da lista das nações cujos cidadãos podem realizar visitas não essenciais ao bloco de países a partir de 1º de julho. O grupo de 27 países aprovou viagens de lazer ou negócios para 14 países: Argélia, Austrália, Canadá, Georgia, Japão, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Coreia do Sul, Tailândia, Tunísia e Uruguai.

AUTOR: GESSI TABORDA –  JORNALISTA –  COLUNA EM LINHAS GERAIS

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