Em Linhas Gerais

Convencer o eleitorado na escolha do vereador é desafio ciclópico – Por Gessi Taborda

FILOSOFANDO

“O que nós temos de fazer é manter viva a esperança. Porque sem esperança nós todos vamos naufragar.” JOHN LENNON, artista inglês, nascido em 1940, em Liverpool. Foi integrante dos Beatles. Foi assassinado em Nova York em 1980.

EDITORIAL

Convencer o eleitorado nos dias hoje, com a pandemia e tudo mais, a escolher um candidato para votar, especialmente em se tratando de vereador, uma missão ciclópica, quase impossível. Um clássico exemplo disso ocorreu no último final de semana bem na rua onde mora o editor dessa coluna, no bairro Flodoaldo Pontes Pinto.

Foi um espetáculo deprimente ver o esforço de um vereador disputando a reeleição, tendo como arma principal um enorme carro de som (parecido com um trio elétrico) na principal esquina da rua Severino Ozias. Nem com todo o barulho do mundo e com seus apelos por plateia conseguiu reunir nem mesmo a tal meia dúzia de gatos pingados interessados em ouvir suas perorações, suas promessas e seus exercícios de demagogia.

Após a longa e infrutífera tentativa o candidato abandonou o pedaço com seu potente caminhão de som, com seu nome de imperador romano num passeio pelas ruas do bairro certamente desconsolado em constatar que ninguém estava disposto a ouvi-lo ou seguí-lo.

O palco da política nesse cenário de pandemia permite uma constatação trágica: o audiência desse teatro mambembe da política eleitoral está acabando. São tantos atores encenando essa peça de cassa aos votos que suas ações se tornaram mirabolantes a ponto de não conseguirem mais os aplausos do passado, quando tudo isso era chamada de “festa cívica”.

Nem aqueles que se aventuram nesse palco fazendo papel de comediantes conseguem chamar a atenção dos que irão votar no dia 15 de novembro, ou seja, daqui a 18 dias.

Ora, se está difícil para quem disputa a eleição proporcional, também não está fácil para aqueles que concorrem ao cargo majoritário de prefeito encenando esses espetáculos canhestros de transformar esquinas mais ou menos movimentadas da cidade em palanques com encenações mirabolantes de moçoilas e rapazes balançando bandeiras esvoaçantes e distribuindo material de propaganda.

A popular esquina da Avenida Calama com a Guaporé, no Chopão do Quatro, foi transformada em palco para esse teatro falido. Ali o sargentão transformado em candidato a prefeito só não viu se não quis.

O cenário era exatamente a comprovação de que ninguém compra mais esses espetáculos bizarros. Essa falta de capacidade em encarar a realidade era o que mantinha o candidato na carroceria de um veículo fazendo acenos para a plateia do trânsito que respondia com vaias.

Então é isso: temos uma campanha em sua reta final desprovida de público. E isso não ocorre simplesmente pela pandemia do Covid19. As assessorias desses candidatos ainda não descobriram o que funciona para atrair uma plateia.

Não será simples para quem corre atrás de uma cadeira do legislativo garantir a vitória. Alguns vereadores em busca da reeleição voltarão, mas os horizontes da renovação das cadeiras no legislativo mirim são promissores para os novatos. Os políticos com mais tradição – e continuamos falando do legislativo – vão pagar o preço a ser cobrado por uma sociedade cada vez mais desencantada com os políticos e a política.

Muitos eleitores não escondem a resistência de irem votar no dia 15. Ora, isso acontece principalmente naquele segmento que ainda não foi convencido da utilidade do voto.

Não acreditam que está em disputa nas eleições municipais é a resolução dos problemas do município e ninguém é melhor do que o próprio eleitor para saber quais são os problemas a serem solucionados já que ele é morador e convive com os problemas de transporte, segurança, saneamento básico, educação, etc.

Nesse cenário vivido pelos moradores de Porto Velho há uma realidade incontestável: a falta de lideranças sem as condições de políticos do passado que conseguiam fazer grandes mobilizações sociais. Não se vê mais as grandes emoções dos espetáculos eleitorais do passado nem tão distante de hoje. Daí a cena trágica do candidato e seu carro de som com audiência zero.

Na disputa pela prefeitura da capital rondoniense é praticamente certa a vitória do atual prefeito para um novo mandato. Não há entre seus adversários ninguém que empolga o eleitorado. E até aqueles que se julgam dono de algum carisma são atores descendo o despenhadeiro num processo sinalizado com as derrotas anteriores.

O desencanto com os políticos desse palco certamente beneficiará quem se mostrou capaz de resolver tantos entraves criados exatamente pelas gestões antigas sempre atreladas aos vitupérios que mantiveram Porto Velho no caminho incerto da economia e das realizações por décadas.

Hoje a cidadania, mesmo envolta na pandemia do Corona19 tem uma carga maior de conscientização política que inclui, entre outras coisas, a capacidade de ver a diferença entre políticos sérios e aqueles capazes de esconder dinheiro na cueca.

CRÔNICA

VICIADO EM VIVER

É só chegar esse tempo de proximidade com o final do ano para sentir, cada vez de forma mais insistente, o desejo de viajar, de buscar novos cenários. Quase chego a acreditar naquilo que dizia Fernando Pessoa que certamente não previu tempos tão bicudos como esse da pandemia que vivemos e a mídia não nos deixa esquecer, nos assustando sempre com “a próxima onda” a qualquer momento.

Fernando Pessoa disse que “para  viajar, basta existir. Vou de dia para dia, de estação para estação, no comboio de meu corpo, ou do meu destino, debruçado sobre as ruas e as praças, sobre os gestos e os rostos sempre iguais e sempre diferentes como, afinal, as paisagens são. A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos”.

Parece tão fácil viajar sem sair do lugar. É só deixar a mente livre e ela, transportando-se no tempo e no espaço a bel prazer, poderá levar-nos a locais completamente desconhecidos, a um mundo de magia até de outras dimensões.

Ainda não decidi o que fazer das próximas férias. Fisicamente pretendo viajar, conviver com uma realidade distinta daquela onde estou. É, não tenho a capacidade mental do poeta. Tenho, especialmente com a velhice, uma convivência belicosa com a memória até em coisas muito triviais.  Ainda que a memória seja redutível ao tempo, o tempo não pode ser circunscrito à memória. Pois há um tempo total, que transcende todas as idades: o tempo da eternidade.

Vocês já pensaram nisso. Claro que não. Nem eu e nem vocês sabemos esquecer os bons e maus momentos que vivemos. Insistimos em carregar esta bagagem pesada e inútil, como fluxos de memória que nos ferem como facas, produzindo angústia e sofrimento. Tudo por não saber que a paisagem da vida é sempre jovem, que em micro-átomos de segundos se renova.

Sempre viajei em todo a minha vida. Quando jovem era impulsionado pelo senso de aventura. E tive muitas experiências, como a de viajar boa parte do Brasil usando caronas capazes de me levar a destinos tão impensáveis (e foi assim, por exemplo, que conheci a cidade de Campestre, em MG) ou tão estimulantes (como Assunção, a capital do Paraguai). Se na primeira vivi momentos de um amor campesino, na segundo passei um tempo na Pensão da Madame Frufru tendo as primeiras experiências boêmias de minha vida até ir parar no Ita Enramada, um hotel de luxo às margens do Rio Paraguai.

Como sempre estou ansioso para viajar novamente. Esse tempo de isolamento deixou ainda mais nítida a certeza de que tudo muda todo tempo, só não muda a mudança infinita. Isso já é justificativa para açular a minha vontade de viajar. Nesse meses que restam do ano já estou cansado de respirar o mofo do conhecido.

Estou ansioso para receber convite de amigos, parentes e conhecidos prontos a me recepcionar, a me hospedar. Definitivamente não sou como aqueles que não gostam de viajar, mesmo podendo. Certamente são sofredores inconscientes por ter uma concepção de vida de viciados em viver.

Explico: É que sofremos do vício de viver a fuçar e refocilar no baú da memória. Não há o que não mude eternamente na paisagem da vida. Não há vida que não morra, nem há morte que não esteja sempre viva. Não há paisagem que não mude, nem passageiros ou viagens: só permanece a infinita viagem da Vida.

Viajar é escapar do lugar que é simplesmente mais do mesmo. É incrível como todos nós precisamos de mudanças. A rotina em que vivo pouco significa para quem está próximo.

O que quero nesse final de ano é sair desse estado inerte para me inebriar com o por do sol na orla do mar, vendo céu se transformando no azul escuro capaz de hipnotizar a minha dor num palco de realidades despreocupadas do que virá na eternidade.

Não, não pretendo dar aconselhamentos a  ninguém, até porque já vivo um momento de desgaste da memória, não daquela memória criativa e sim a memória como arquivo de tempos vividos e nomes cada vez mais esquecidos.

A memória é o inferno vivido agora. E a ele nos condenamos. Com a memória criamos tempo na mente. Então passamos a navegar em suas turbulências vazias. A mente comum não pode conter a supermente, a que vive além da memória ou da inteligência racional de que o ser humano é dotado.

Engraçado ter pensado nisso agora. É como se tivesse me lembrado do que escreveu Santo Agostinho:  “A mente é estreita demais para conter a si mesma inteiramente. Mas onde está essa mente que não está contida nela mesma? Estará em algum ponto fora dela, e não em seu interior? De que modo, portanto, ela pode ser uma mente, se não está contida nela?”. É o que vou novamente procurar na minha próxima viagem!

QUEDA LIVRE

Se as nuvens da política não mudarem até o final primeira semana de novembro partidos históricos estarão vivendo sua maior tormenta dos últimos anos na política rondoniense. Partidos que no passado polarizavam as disputas sofrem com a brusca queda nas intenções de votos aferidos nas últimas pesquisas, especialmente em Porto Velho. Nenhum dos grandes partidos como o MDB e o PT lideram. A situação é a mesma nos maiores colégios eleitorais do estado.

O PT sofre o efeito Lula diante de um eleitorado amplamente conservador. Ele foi o partido que mais lançou candidatos a prefeitos pelo país. Na campanha atual o partido de Lula só lidera em Vitória, capital do Espirito Santo. A previsão é de que o PT e o PMDB vai encolher com o resultado das urnas.

PERRENGUE

Também está difícil a situação do PSL. O partido ficou enorme com a presença de Jair Bolsonaro em suas fileiras. Sem JB em pleno ano de campanha eleitoral o PSL está fadado a voltar à sua condição anterior de sigla nanica. Não lidera a corrida sucessória em nenhuma capital. Em Rondônia o partido sofre um racha interno refletindo as querelas entre suas lideranças principais no estado. A guerra de egos entre os caciques faz a sigla se diluir no estado.

PERIGO

O MDB corre o sério risco de perder capilaridade eleitoral com a disputa desse ano. Com a candidatura de Williames Pimentel o partido perde o que resta de sua musculatura na capital dos rondonienses. É claro que a queda visível tem muito a ver com a desdita de Valdir Raupp, condenado por corrupção. Ele acabou sendo apontado como recebedor de propinas e foi condenado também pela participação no crime organizado. Se os caciques do MDB não mudar estratégias e táticas não conseguirão brilhar nem mesmo nas eleições de 2022.

FIM DE ANO

O presidente da TIM no Brasil, Pietro Labriola, fica no cargo apenas até o fim do ano. Labriola assumiu em abril do ano passado, o que não quer dizer muita coisa. A Telecom Itália troca mais de presidentes no Brasil do que a Itália de primeiro-ministro.

LINDINHO

Condenado pela distribuição de leite em caixas com logotipo de sua gestão, quando prefeito em Nova Iguaçu, o ex-senador Lindbergh Farias (PT) é suspeito também de lesão ao patrimônio público e enriquecimento ilícito. E ainda queria ser candidato a vereador no Rio de Janeiro.

FELIZARDOS

Os doadores são praticamente desconhecidos. São eles os responsáveis pela alegria de candidatos a vereadores. O maior doador é Antônio José de Almeida que responde pela doação de R$ 2,4 milhões. A ajuda se destina apenas a uma candidata: a vereadora do município de Moju (PA) Kelly Fernanda da Silva Felix de Almeida (MDB) que tenta novo mandato. Moju tem 83 mil habitantes e a Câmara Municipal 15 vereadores. Em segundo lugar, está Raissa Felipe de Souza com doação de pouco mais de R$ 1,5 milhão também para um único candidato, Silvan Ramos de Almeida (PP) que tenta uma vaga de vereador em Touros, de 30 mil habitantes no Rio Grande do Norte.

MÁSCARA

Pesquisa CNT/MDA informa que apenas 3% da população disseram “não utilizar máscaras em locais públicos”, enquanto 75,7% “sempre” usam proteção e 21,3% “algumas vezes”.

BOCARRA

Mais um gigante chinês está prestes a aterrissar no setor elétrico brasileiro. A Longyan Power deverá participar dos leilões de energia elétrica da Aneel previstos para 2021.

DE FAMÍLIA

Não é só o senador Chicofrinho Rodrigues que mistura cargo com família. O suplente de Alcolumbre, presidente do Senado, é o irmão José Samuel. O senador Ciro Nogueira tem a mãe, Eliane, na suplência. O senador Eduardo Braga, a esposa, Sandra. O Senado aprovou emenda constitucional que proíbe parentes na suplência. Mas sabe como é, né? O rigor implacável da lei não é para os amigos.

MÍDIA

A CNN, que apoia dos democratas, divulgou sua pesquisa sobre quem venceu o debate, nos Estados Unidos: deu Joe Binden, claro, com 53% a 39%. Já na Fox News, pró-republicanos, Donald Trump venceu por 74% a 24%.

REFORÇADA

O objetivo é reforçar a fiscalização das medidas sanitárias de enfrentamento à Covid19 durante o feriadão de Finados no município de Porto Velho. Para isso estará atuando uma força-tarefa focando principalmente festas particulares e baladas. As autoridades querem deixar bem claro para população que a pandemia não foi embora.

PESQUISAS

Há uma grande ansiedade entre os políticos participantes da corrida eleitoral pela divulgação da segunda pesquisa do Ibope sobre as preferências dos eleitores de Porto Velho. Essa segunda pesquisa pode ser liberada até o final dessa semana. Bem, a maioria dos brasileiros sabem que pesquisas cometem erros grosseiros. Mesmo não sendo um parâmetro seguro, elas servem para açular quem está na disputa.

No comitê do prefeito que disputa a reeleição da capital dos rondonienses a orientação é uma só: trabalhar com todo afinco até o último minuto da eleição como se disso dependesse a “esperada vitória”. Nem mesmo a expectativa de que o prefeito melhorou sua posição no ranking do Ibope diminuí o ritmo da campanha de convencimento do eleitorado em favor a Hildon Chaves.

LEÃO

Receita Federal começa a informar nesta quinta-feira (29/10) contribuintes que caíram na malha fina. O Fisco irá enviar carta explicando que é possível fazer a autoregularização. Serão enviadas 334 mil cartas no período de 29 de outubro a 1º de novembro, somente para contribuintes que podem se autoregularizar, isto é, aqueles que não foram intimados nem notificados pela Receita Federal.

É SIMPLES

Se todas as vacinas em teste forem aprovadas, não serão suficientes. Iremos usar as chinesas, a inglesa, as americanas, ou não haverá o suficiente. Se a chinesa funcionar, será usada. Se não funcionar, não poderá ser usada. É simples.

AUTOR: GESSI TABORDA –  COLUNA EM LINHAS GERAIS

  • A opinião dos nossos colunistas colaboradores não reflete necessariamente a opinião da Folha Rondoniense

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