Conab corta previsão de safra de soja do Brasil em 3%, eleva de milho

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Atualizado: fevereiro 12, 2019

A safra de soja 2018/19 do Brasil, em colheita, deve totalizar 115,34 milhões de toneladas, em um corte de 3 por cento frente a previsão anterior, projetou nesta terça-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que também estima embarques menores pelo maior exportador mundial da oleaginosa.

Trata-se da segunda redução feita pela Conab em suas estimativas desde os impactos do tempo quente e seco nos principais Estados produtores do país. Em janeiro, o órgão do governo esperava colheita de 118,80 milhões de toneladas de soja, enquanto em dezembro, um recorde de pouco mais de 120 milhões de toneladas.

A nova estimativa é ainda 3,3 por cento inferior aos históricos 119,3 milhões de toneladas do ciclo 2017/18.

A atual temporada começou com perspectivas amplamente favoráveis graças a chuvas em bons volumes durante a fase de plantio. Uma estiagem a partir de dezembro, contudo, levou o mercado a rever suas projeções.

Paraná e Mato Grosso do Sul foram os Estados mais afetados pela seca e as altas temperaturas. Em ambos, a quebra de produtividade chega a superar 10 por cento, conforme a Conab.

Outras regiões, contudo, também inspiram preocupação.

“A estiagem prejudicou a granação da cultura, principalmente as variedades de ciclo superprecoce. Desta maneira, a lavoura não desenvolveu todo seu potencial produtivo”, disse a companhia sobre Mato Grosso, o maior produtor brasileiro de soja.

No Rio Grande do Sul, as regiões da Fronteira Oeste, Campanha e Central, “em que ocorreram chuvas com volumes muito superiores ao normal para o período, causando alagamentos e muitos dias sem luz”, devem registrar “perdas significativas”.

Nesse cenário, a Conab não descarta um novo corte em seu próximo relatório, em março.

“Pode cair mais. Esse laventamento foi de janeiro. Nós estamos em fevereiro. Janeiro continuou tendo seca, pode ser que o próximo levantamento da Conab mostre (uma produção) menor ainda… Provavelmente o número do mercado já é um pouco menor do que isso”, disse o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Eduardo Sampaio, após coletiva em Brasília.

Nos últimos dias, consultorias vêm de fato projetando uma colheita de soja ainda mais baixa que a vista pela Conab.

Em meio a uma safra menor, a Conab também ajustou sua previsão para as exportações brasileiras da commodity em 2018/19, estimando agora vendas de 71,5 milhões de toneladas, ante 75 milhões na previsão passada e um recorde de 83,6 milhões no ciclo anterior.

MILHO

Na contramão da soja, a safra de milho 2018/19 do Brasil tem boas perspectivas, segundo a Conab, que espera uma colheita total de 91,65 milhões de toneladas, contra 91,19 milhões esperados em janeiro e 80,70 milhões no ano passado.

Desse total, 65,19 milhões de toneladas são estimados apenas para a segunda safra, a “safrinha”, acima dos 63,73 milhões da previsão anterior e bem superior aos 53,89 milhões de 2017/18, quando problemas climáticos afetaram a cultura.

A Conab estima área plantada com a segunda safra de 11,80 milhões de hectares.

“A estimativa para a área do milho segunda safra ainda é uma intenção de plantio. Os produtores já estão com os insumos comprados, mas dependentes da evolução do quadro climático. Por isso, há casos pontuais de prorrogação do plantio, mas ainda dentro da janela recomendada”, afirmou a Conab em seu relatório.

Com efeito, receios quanto ao desenrolar climático e um tributo em Mato Grosso têm jogado incertezas sobre a safrinha deste ano, conforme produtores e especialistas ouvidos pela Reuters.

A Conab não alterou sua previsão para as exportações do cereal neste ciclo, com 31 milhões de toneladas.

FONTE: REUTERS

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