Com perda de poder no Planalto, militares deixam de ser procurados por políticos e empresários

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Atualizado: novembro 9, 2019

Um dia vistos como anteparo aos excessos do governo, militares palacianos hoje têm como destino a obediência total ou a queda

A influência dos militares no governo de Jair Bolsonaro costumava ser medida pela sobrecarga das agendas de seus principais expoentes nos primeiros meses de governo. Diante da pouca disposição do presidente para receber em seu gabinete diplomatas, empresários e lideranças políticas, esses setores buscavam os ministros Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional, GSI) e Carlos Alberto dos Santos Cruz (ex-Secretaria-Geral) e o vice-presidente, Hamilton Mourão, para tentar uma aproximação com os novos inquilinos do Palácio do Planalto.

Por receber políticos em excesso, Santos Cruz acabou minando o poder da Casa Civil e se indispondo com o chefe da pasta, Onyx Lorenzoni. Terminou demitido. A atribulada agenda de Mourão, somada a declarações que divergiam das de Bolsonaro, chegou a colocá-lo em posição antagônica ao chefe, arruinando a proximidade que ambos haviam alcançado durante a campanha. Bolsonaro o isolou. Já Heleno passou a sofrer ataques da militância bolsonarista por tentar interferir demais na vida palaciana. Viu-se forçado a submergir e elevar o tom de suas declarações de apoio ao governo para mostrar que não era inimigo do presidente.

O declínio do prestígio dos três principais expoentes da cúpula militar no Palácio do Planalto, agravado pela saída do chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), general Maynard Santa Rosa, na segunda-feira 4, sepulta uma das principais apostas que se tinha sobre a gestão de Jair Bolsonaro: a de que militares da reserva teriam voz ativa e poderiam modular as ações do presidente.

Após quase um ano de governo, ex-ministros e generais reformados, que costumavam ser procurados pelo setor privado justamente por terem boa relação com os novos ocupantes do poder, relatam a mudança de cenário. “Políticos, corporações, sindicatos, empresários, sobretudo do setor de energia, todos vinham conversar para tentar uma forma de interlocução com os militares para chegar ao governo. Hoje, perceberam que não adianta. Não procuram mais”, disse um ex-ministro que costumava ser requisitado para a função de interlocutor junto a Heleno e Mourão.

FONTE: ÉPOCA

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