Agronegócio

AGRONEGÓCIO DIZ NÃO À PRESIDENTE DILMA ROUSSEFF

Entidades do setor aderem ao processo de impeachment, depois que representante da Contag prega a invasão de terras em evento realizado no Palácio do Planalto

As entidades representativas do agronegócio começam a levantar a voz para dizer que não aceitam invasões de propriedades rurais no País e que omax2 estado de direito vale para toda a sociedade. Desde o início da semana, a Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vêm se manifestando em relação às ameaças feitas ao setor por Aristides Santos, secretário de Finanças e Administração da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). No dia 1º de abril, durante uma cerimônia realizada no Palácio do Planalto, em Brasília, da qual participaram ativistas dos movimentos quilombolas e militantes do Movimento dos Sem Terra (MST), Santos disse em tom de ameaça, referindo-se aos proprietários rurais, que “a forma de enfrentar a bancada da bala contra o golpe é ocupar as propriedades deles”.

Não houve por parte da presidente Dilma Rousseff, que se pronunciou em seguida, nenhuma defesa do agronegócio, setor responsável por um terço do Produtor Interno Brasileiro (PIB), R$ 1,2 trilhão em 2015. A ministra da Agricultura Kátia Abreu também se manteve calada e não defendeu os produtores, embora nos bastidores ela tenha declarado que Santos foi muito infeliz em seu pronunciamento. “Nada justifica a violência e o desrespeito às regras de convivência conquistadas pelos brasileiros”, afirma Gustavo Diniz Junqueira, presidenta da SRB.

IMPEACHMENT  O movimento de repúdio às ameaças do representante da Contag foi o estopim para que na manhã desta quarta 7, a CNA também se posicionasse em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em nota, a entidade, hoje presidida por João Martins da Silva Júnior, afirma que “o governo dá seguidas mostras de não reconhecer nem compreender a verdadeira natureza dos problemas que afligem o País, nem revela disposição de enfrentá-los.”

A ministra Kátia Abreu, presidente licenciada da CNA em janeiro de 2015 para assumir a pasta da agricultura e pecuária, a convite da presidente Dilma, disse à DINHEIRO RURAL que não pode interferir nas decisões da confederação. “Embora não concorde, respeito a posição da CNA, que é uma entidade de classe independente”, afirmou a ministra. Silva Júnior disse que a ministra Kátia Abreu tem se distanciado do produtor rural. Por isso, em nota, a CNA reforça que não pode se omitir perante a gravíssima crise econômica originada por reiterados erros de política econômica e pelo colapso fiscal promovido pela ação do atual governo.   “Fomos surpreendidos por um ato dentro do Palácio do Planalto, pregando o uso da força e da violência para desestabilizar o nosso negócio”, disse Silva Júnior.

Atualmente, de acordo com a SRB, há 88 milhões de hectares com assentados rurais, equivalentes a 26% de toda a área utilizada para atividades agrícola e pecuária no País. “O Brasil tem o maior programa de distribuição de terras já concretizado no mundo, mas não dá para continuarmos com uma política do século 19 em pleno século 21”, afirma Diniz Junqueira. Na tarde de hoje, o Tribunal de Contas da União (TCU), determinou que o Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA) suspendesse o assentamento de novos beneficiários do programa. De acordo com a entidade, há indícios de irregularidades em 578 mil processos. Não é a primeira vez que isso ocorre. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, a reforma agrária foi interrompida em 2009, quando uma operação da Polícia Federal levantou fraudes na distribuição de lotes. “O resultado de todos os programas de Reforma Agrária realizados são medíocres e não justificam sua manutenção”, afirma Diniz Junqueira. “É necessário iniciar um programa de integração dessas famílias ao sistema moderno de produção, para lhes viabilizar ganhos de produtividade e aumento de renda. Precisamos evoluir.”

 

 

Fonte: dinheirorural

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